Haengsu-eorusin: Levantem e abaixem os pés! Façam o movimento. Fique leve, como se fosse só seu espírito. Sorria. Mesmo que não tenha motivos. Sorria mesmo que sua perna esteja doendo. Vocês não estão sorrindo!
Suk In: Haengsu-eorusin*! Ela não compareceu a este treinamento novamente!
Haengsu-eorusin: Ela de novo? Essa menina...
Despindo as enormes e confortáveis roupas de gisaeng* e correndo pelas ruas de areia, Hye Yi vai em direção à sua velha casa, na qual não visitava faz uma boa temporada. Morrendo de saudades do pai Sam Yu, os dois se abraçam calorosamente. O pai de Hye Yi é a pessoa que ela mais ama no mundo e faria de tudo para protegê-lo. Tanto que se candidatou como gisaeng para sustentá-lo.
Sam Yu: Você deve voltar à trupe agora. E se a haengsu-eorusin perceber que você fugiu?
Hye Yi: Ela não perceberá, papai. Mas mesmo assim, terei de ir.
Sam Yu: Eu tenho medo o que aquela mulher pode fazer à você como castigo desta vez.
Hye Yi: Ela não poderá nada que atinja as leis.
Sam Yu: Mas de qualquer forma, ela manda em vocês. Vá logo.
Hye Yi: Tudo bem, papai. Irei. Mas voltarei, e da próxima vez, com a coisa boa!
Sam Yu: *risos* dinheiro!
Hye Yi: Sim! Agora tenho de ir. Até mais ver.
Hye Yi anda calmamente, indo de volta à trupe, levantando seu vestido delicadamente para não encostarem no chão. Mas se disséssemos que o vento estava tão forte naquele dia, que atraiu águas mornas, ninguém acreditaria. Já que Hye Yi estava distraída e pensativa, aproveitou para sentar-se na beira do lago para olhar para o horizonte. Desse jeito, ninguém perceberia uma presença indesejável por ali. Uma presença que todos querem longe, apesar de ser importante.
Hye Yi: Nossa... pra que fui nascer pobre? Eu bem que podia ter nascido da alta classe, ou até mesmo filha do rei. Mas eu sou mesmo muito azarada.... – fala sozinha
Hyun Suk: Filha do rei?
Hye Yi: Sim... filha do rei.
Hyun Suk: Pra que você quer ser filha do rei?
Hye Yi: Porque esta provavelmente tem tudo o que quer. E por isso não sofre pra conseguir o que deseja.
Hyun Suk: Você está sofrendo?
Hye Yi: Um pouco. Terei que levantar o cabelo* para conseguir dinheiro para meu pai pobre.
Hyun Suk: Levantar o cabelo?
Hye Yi: Sim... vida de gisaeng não é fácil.
Hyun Suk: ...
As águas do lago estavam brilhando lindamente em conseqüência dos fracos raios solares de final da tarde, o ambiente estava fresco e a conversa estava sensível. Até Hye Yi perceber que estava conversando com uma voz, na qual não sabia de quem era, mas que estava vindo detrás de si.
Hye Yi: Quem é você? –pergunta assustada
Hyun Suk: O que importa? Você está conversando comigo faz meia hora.
Hye Yi: Eu perguntei quem é você!
Hyun Suk: Sou alguém de sua imaginação.
Então ele vai embora, sem dar uma mera explicação à Hye Yi.
****
Haengsu-eorusin: Hye Yi. Quero saber até quando fará isso.
Hye Yi: Isso o que?
Haengsu-eorusin: Não se faça de tonta. Nenhuma das novatas podem sair sem minha permissão. Nenhuma!
Hye Yi: Fui apenas falar com meu pai.
Haengsu-eorusin: Não importa. Pode até ir falar com o rei, mas sair sem minha permissão é inaceitável. Como castigo, não fará nenhum dos seus treinos e não sairá do quarto hoje, da próxima, o castigo será físico.
Hye Yi: Isso não se repitirá. Me perdoe.
E quando a lua se pôs a brilhar, aconteceu novamente, mas dessa vez, foi mais profundo. Duas almas se reencontraram, e um forte brilho surgiu de dentro de ambas.
Sang Sung: Hye Yi, vai sair?
Hye Yi: Sang Sung, preciso que você guarde segredo e não fale pra ninguém. Somos amigas, não somos?
Sang Sung: Sim, mas aonde você vai?
Hye Yi: Eu esqueci daquela fita que a haengsu-eorusin disse pra não perdemos.
Sang Sung: Aigoo*! E o que você fará?!
Hye Yi: Eu sei aonde deixei. Então vou lá buscar, mas preciso que você se passe por mim. Deite na minha cama e durma como eu!
Sang Sung: Te ajudarei. Mas volte rápido!
Hye Yi: Obrigada, Sang Sung!
E no lago, o reflexo da lua na água estava tão linda quanto a original... e como se fosse a vontade das estrelas, eles se reencontram.
Hyun Suk: Você aqui de novo?
Hye Yi: Quem é você?
Hyun Suk: Pelo visto você adora esse lugar.
Hye Yi: Não. Se gostasse, não te diria. Não me faça perder meu tempo.
Hyun Suk: O tempo não é só seu. Procura algo?
Hye Yi: Eu disse que não te diria nada.
Hyun Suk: Por acaso, procura isso?
Hye Yi: Minha fita!
Hyun Suk: Opa, quer a fita? Eu a achei, agora é minha.
Hye Yi: Mas a fita é minha!
Hyun Suk: Não, é minha. E se você quiser de volta, terá que conquistá-la.
Hye Yi: Do que está falando?
Hyun Suk: É assim a vida. Agora, corra atrás do que você quer.
O jovem rapaz levanta a fita para um lado e para o outro, para cima e para baixo, enquanto a jovem gisaeng tenta alcançá-lo, se aproximando mais um do outro. Seus corpos se aproximam, cada vez mais. A jovem gisaeng consegue alcançar apenas a mão do rapaz, segurando firmemente aquela macia e bem cuidada pele, fazendo com que seus olhares se encontrem e se apaixonam-se. Aquele par de olhares não conseguia olhar para nenhum lado mais. A lua brilhava em direção aqueles dois olhares. Mas como nada dura para sempre... Hye Yi voltou ao “seu normal”.
Hye Yi: V-Você não vai devolver minha fita?
Hyun Suk: S-Se eu der a fita, você vai embora?
Hye Yi: Sim
Hyun Suk: Então não lhe darei.
Sem a mínima paciência, Hye Yi rouba a fita da mão do rapaz e sai correndo, enquanto o olhar dele estava centrado apenas para ela, não conseguia pensar em nada mais, só conseguia lembrar do doce olhar que acaba de ver.
****
Sang Sung: Hye Yi! Porque demorou tanto? A haengsu-eorusin quase me descobre! Imagine só, meu coração disparou demais, achei que ia ter um ataque cardíaco. Comecei a pensar que você tinha morrido, e quase chorei, sabe? Hye Yi? Está me ouvindo? Hye Yi!
Hye Yi: Sabe Sang Sung, acho que eu não morri. Eu vivi de novo.
Sang Sung: O que está dizendo?
Hye Yi: Apenas acho. Meu coração bate como nunca, acho que, agora estou viva.
~.~.~
* Gisaeng: moças que servem aos nobres. Às vezes chamadas de
geishas coreanas.
* Haengsu-eorusin: líder-professora da trupe das gisaengs
* Levantar o cabelo: perder a virgindade
* Aigoo: Expressão parecida com “caramba”.
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